Macrofauna
1.
Macrofauna Bentônica: Os
Macroinvertebrados bentônicos são
representados por vários grupos taxonômicos como Platyelminthes, Annelida,
Crustacea, Mollusca, Insecta, entre outros. Formam um grupo de grande importância
ecológica, participando das cadeias alimentares e constituem um elo de ligação
entre os recursos basais e os peixes. Esse grupo apresenta uma relação direta
com o fundo, o que resulta numa certa uniformidade no seu modo de vida. Vivem
pelo menos uma fase de seu ciclo vital na água doce e habitam o substrato
(sedimento, detritos, troncos, macrófitas aquáticas, algas filamentosas,
etc.). A dinâmica deste grupo, em função da flutuação em determinados estágios,
proporciona eficiência na recolonização de substratos alterados.
Os
macroinvertebrados são muito utilizados em estudos ecológicos por serem
importantes bioindicadores devido à grande diversidade de espécies e ampla
distribuição, por responderem a vários tipos de impactos e por terem um ciclo
de vida relativamente longo. Refletem com maior precisão as condições
ambientais, pelo modo de vida junto ao fundo, local de acúmulo de
contaminantes, e também por sua pouca mobilidade, que favorece sua utilização
para diagnósticos ou monitoramentos ambientais.
1.1
Decápodas: Entre os decápodas ducícolas, encontram-se os
camarões e os carangueijos. Esses organismos ocupam uma diversidade de hábitats
em sistemas lóticos e lênticos. São em geral animais de hábitos noturnos.
Permanecem, normalmente, escondidos em tocas, fendas e buracos de rochas,
troncos submersos, na serrapilheira submersa ou entre as raízes e folhas da
vegetação aquática. Entre os decápodos, a
Aegla platensis ocorre em
ambientes de água doce, como lagos, arroios, rios de correnteza e rios de
cavernas. Habitam preferencialmente águas limpas e bem oxigenadas. A dieta
natural consiste de larvas de insetos e macrófitas aquáticas, cujo consumo
varia de acordo com a disponibilidade no ambiente. É classificada como omnívora,
generalista e oportunista.
Trichodactylus panoplus é
um carangueijo de água doce, predador, que vive em ambientes lóticos e lênticos,
permanecendo preferencialmente em tocas.
2.
Insetos: Os insetos formam um grande grupo. Representam 55%
dos seres vivos, sendo que compreendem aproximadamente 72% de todos os animais.
Os insetos são componentes fundamentais do ecossistema e podem contribuir tanto
para o desenvolvimento de um ambiente, quanto para a destruição. O estudo dos
insetos é de grande relevância, pois eles são importantes bioindicadores
devido ao grande número de espécies e a diversidade de ambientes que ocupam.
Por essas razões, além da importância ecológica, possuem, ainda, importância
econômica e social.
2.1.
Plecoptera: No
estágio imaturo, vivem em águas correntes com alta concentração de oxigênio,
debaixo de pedras, troncos e ramos da vegetação. As famílias
Perlidae e Grypopterygidae são muito sensíveis à poluição, sendo
utilizadas como bioindicadores de qualidade de água. Estas são predadores táteis
e preferem ambientes de altitude e com fundo pedregoso.
2.2.
Ephemeroptera: Apresentam
curto estágio de vida adulto, ficando a maior parte do ciclo vital sobre o estágio
de ninfa. Ocorrem em riachos de altitude com águas frias, limpas e altas
concentrações de oxigênio e lagoas temporárias, com alta temperatura e pouco
oxigênio dissolvido na água. São excelentes bioindicadores. Muitos apresentam
alta tolerância às alterações na qualidade da água, no entanto a maioria
das espécies é sensível à poluição. As ninfas vivem associadas a rochas,
troncos ou na vegetação submersa. São detritívoras e raspadoras,
alimentando-se de matéria orgânica fina e algas perifíticas. Uma das famílias
representativas deste grupo, encontrada em Araricá, foi a
Euthyplociidae.
2.3.
Odonata: São
conhecidas como libélulas. Podem ser encontradas em poços, pântanos, margens
de lagos e córregos lentos e pouco profundos. São predadores e vivem em águas
limpas ou pouco poluídas, rodeadas por vegetação aquática submersa ou
emergente. Algumas espécies são extremamente sensíveis à poluição orgânica.
A família Calopterygidae é muito utilizada como bioindicadora ambiental por
ser extremamente específica, no que se diz respeito a tipos de ambientes e
substratos, além de viver em águas preferencialmente bem oxigenadas. Outra família
muito utilizada em análises de água é a
Gomphidae que pertence à subordem Anisoptera.
2.4.
Trichoptera: No
estágio larval, vivem tanto em ambientes lóticos quanto lênticos,
predominantemente em águas correntes e limpas com altas concentrações de oxigênio.
Possuem capacidade de construir casulos ou refúgios de formas variadas e com
diferentes materiais. A dieta constitui-se de material vegetal, sendo que
algumas larvas são fragmentadoras e outras larvas podem ser predadoras.
2.5.
Coleoptera: Este
grupo é representado pelos besouros que podem apresentar espécies com o seu
ciclo de vida exclusivo na água, ou espécies que possuem somente a larva e a
pupa aquáticas, sendo o adulto aéreo. Vivem em rios e lagos com concentrações
variáveis de oxigênio. Podem ser herbívoros, predadores de cadeia e detritívoros.
A família Scarabaeidae é coprófaga, alimentando-se de excrementos de mamíferos
herbívoros.
2.6.
Chironomidae: Pertencem
a ordem Diptera, uma das mais abundantes em número de indivíduos e espécies
em quase todos os ambientes. O grupo é considerado o mais bem adaptado de todos
os insetos aquáticos. Ocorrem em altas diversidades e densidades na maioria dos
ambientes. No ambiente aquático, as larvas colonizam o sedimento e vegetação
aquática, suportando uma ampla faixa de variações físicas e químicas da água,
o que reflete elevada capacidade adaptativa do grupo. Consomem grande variedade
de matéria orgânica e servem de alimento para outros predadores. As larvas de
algumas espécies da família
Chironomidae possuem hemoglobina, possibilitando-as
de viverem em locais com pouco oxigênio dissolvido. Como são bem adaptadas a
viver em locais com grande quantidade de poluição orgânica, são bastante
utilizados como bioindicadores de água.
3.
Annelida
3.1.
Oligochaeta:
Vivem em águas eutrofizadas com fundo lamoso e com grande quantidade de
detritos. Podem viver a vários metros de profundidade e com oxigênio escasso.
3.2. Hirundinea: São conhecidas como sanguessugas. Vivem em águas paradas, com pouco movimento sobre troncos, plantas, rochas e restos vegetais.Toleram baixas concentrações de oxigênio e são numerosas em ambientes onde há muita matéria orgânica em decomposição.
Glossário de Termos Referentes à Macrofauna Bentônica
Ambiente lêntico - Refere-se a água parada, com movimento lento ou estagnado.
Ambiente lótico – Compreende águas continentais em movimento (águas
correntes) com sentido unidirecional em direção à foz.
Ambiente lótico e lêntico - Zonas de alternância, com ambientes lóticos e lênticos,
como por exemplo, rios com águas em movimento, intercalados com locais de retenção
de água, acarretando em água parada.
Macroinvertebrados bentônicos – Compreendem organismos que habitam o substrato de fundo (sedimento, detritos, troncos, macrófitas aquáticas, algas filamentosas, etc.), de hábitat de água doce, em pelo menos uma fase de seu ciclo de vida. São representados por vários grupos taxonômicos como Platylminthes, Annelida, Crustacea, Mollusca, ou Insecta. São importante fonte alimentar para os peixes e valiosos indicadores da degradação ambiental.
Referências
Bibliográficas:
Atlas de
identificação rápida dos principais grupos de macroinvertebrados bentônicos.
Disponível em: www.icb.ufmg.br/~bentos/index_arquivos/pdfs_pagina/atlasbenthos.pdf.
Acessado em: 25/03/06.
Chironomidae.
Disponível em: http:/www.ufscar.br/~leia/chirono.htm. Acessado em: 25/03/06.
A influência do
decréscimo do nível fluviométrico na comunidade de Chironomidae na planície
aluvial do rio Paraná. Disponível em: www.peld.uem.br/relatat2002/pdf/comp_biótico_influenciaCresc.pdf.
Acessado em: 25/03/06.
Scarabaeidae. Disponível em: www.Scielo.br/scielo.php?script=sci_arttexepid=s0103-90161998000100010. Acessado em: 25/03/06.
Macroinvertebrados
bentônicos como bioindicadores de qualidade de água. Disponível em: http://72.14.203.104/search?q=cache:cNVqu8pHDsQJ:www.icb.ufmg.br/~cct/material.
Acessado em: 25/03/06.
Ordem decapoda. Disponível em: www.biota.org.br/pdf/v4cap19.pdf. e www.biota.org.br/pdf/v5cap08pdf. Acessado em: 25/03/06.
Hydropsychidae.
Disponível em: www.scielo.br/pdf/ev/v12n2/a06v12n2pdf.
Acessado em: 25/03/06
Perfil metabólico de Aegla platensis Schimitt (Crustacea, Aeglidae Anomura) submetida a dietas ricas em carboidratos ou proteínas. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-8152005000100018escript=sciarttexeting=pt. Acessado em: 25/03/06.